quarta-feira, 6 de maio de 2009

Decadènce

Não vou para o abismo
No verso da poética ambígua
A ambigüidade é uma constante
Só não consome a alma
Que na profundidade dos olhos
Há de supor que já não existe
Evaporou-se

Querem levar-me para o abismo
Mas para o abismo não vou
A utopia cega meus olhos?
Não se preocupe
Deixa-me ser um sonhador
Em busca do algo mais
De tudo que cerca e existe
É a circunstancia que não me deixa triste
Por enxergar que assim se supera

Os valores já não existem
A utopia cega meus olhos
Incapaz de nem um palmo de canção
Sem rima ou prosa
Só utopia...
Caminha como sombra
Refrigera o coração
Mas para o abismo
Não vou.

Ederson Rocha

sábado, 27 de dezembro de 2008

Desalento da manhã

Nasce uma nova aurora
uma manhã que ilumina
a húmus deste planeta
de coisas que acontecem

Sinto que está comigo
a ausência de algo
um vazio que transborda
e eu me retiro...

Para quê opinar?
A decadência derradeira do mundo
é circunstancial
assim como a aurora que nasce

Mas sinto a falta,
um sorriso de criança
algo tão bonito
como o brilho da aurora
que vem a completar a ausência
e da própria ausência
flores que murcham
gases lacrimogêneos
e sentimentos estéreis
ante a idéia inútil
de querer consertar...

Ederson Rocha

sábado, 9 de agosto de 2008

Apologia ao Tempo

olhos à curva da estrada
a estrada na linha do tempo
e o tempo tão vago não diz nada
é apenas sonho ou contentamento

vejo as estrelas no céu e é negro
aqui a vida resfria como geleira
ao inverso, transmuta-se e é um segredo
já as estrelas , belas pela vida inteira

seriam eternas ao tempo distante,
ou qual distância teria o tempo
a velha história já é o bastante
e gira, gira como faz o próprio vento

saber das coisas é um mistério
o tempo passa e nada diz
pensar, saber é um critério
tal como o próprio tempo se faz um juiz

passa, e dura uma vida inteira!


Ederson Rocha

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Semente

o amor
um fragmento
semente que germina
o sol, uma luz
a essência das coisas
sem os valores
os pudores que a ferro se impõe

mas nada se estrutura
tudo é a eterna liberdade
só quando germina a semente,
aflora o que no fundo temos de belo
e é tão rara
a essência de tudo
a semente de nada
que se perde no transcorrer do tempo.

Ederson Rocha

Ser...

não tenho nada
nem a necessidade de aceitar
que ter me fará feliz
nem a lembrança remota de não ter

enfatizo
quero ser!

a parte disso
uma leve brisa
entre a minha infância
e a idéia hermética
de que viver vale à pena...

Ederson Rocha

Não quero nada...

Não quero nada...
Já dizia Fernando Pessoa
também o afirmo
pois tudo o que em mim acontece
é a razão pela qual aqui estou.

Se escrevo versos
é por que sinto a necessidade
de um olhar de amplitude sobre as coisas que nos cercam
e a música,seria como lavar os olhos
e enxergar o que não vejo
com um sentimento distinto
com os olhos que também são meus
sentir o que eu não sinto
quando estou comigo...

Então também o afirmo
não quero nada!
Tudo o que faço
é a repercussão da ânsia que tenho
de ser integralmente humano.

Talvez isso por natureza seja...
Mas tudo o que sinto e penso
é apenas um surto de momento
instantes estes sem muita intensidade
em que me pergunto
o que realmente é a vida
e em que base se consiste para existir
de onde vem e pra onde vai
pois é imenso este universo de detalhes

e se escrevo em surto de momentos
é tão somente
por que um presente instante,constante
é o que na vida realmente busco viver...

Ederson Rocha

Despertar

escrevo um poema para meu sonho
ver a vida com essência
e toda beleza que se perde
no curso do tempo,
escrevo o poema

sobre o olhar de um susceptível cosmopolita
a vida atual é a circunstância
da imagem interior que se reflete
em nossos atos
a cada instante


ao ouvir o som de cada passo
em direção a rotina insuportável
que a vida ritmada conduz
e mecaniza os atos, fere
como um punhal que atravessa o peito
no entanto...

escrevo o poema para meu sonho
quando vejo tão real
a circunstância pela qual escrevo

e a realidade é tão clara
e produz uma vertigem
mas os olhos cegos ainda não sabem filtrar
toda imagem que fica retida
no abismo interior já mecanizado

tudo isso é a minha loucura
e me obriga a aceitar
somente o que se vê e é palpável
opondo-se a uma absoluta idéia
de que tudo é amplitude
a amplitude de tudo parece incognoscível

pois ainda escrevo um poema para meu sonho
antes de dormir,
no meio de tudo, querendo apenas acordar...
Ederson Rocha

As flores

as rosas são simplesmente belas
mas nocivas
com seus espinhos
jogam seu perfume ao vento
revela toda sua beleza ao desabrochar

belas são as rosas
e tristes são as rosas
quando ao cair das pétalas e murchar
mas linda são as rosas
tão belas que encanta!

são inspirações
fontes de beleza que ferem com seus espinhos
fazendo um homem perder a razão
e entregar a vida por sua beleza
assim são as rosas mais perfeitas
as flores mais reais
criadas à imagem e semelhança de toda mulher
fazendo-a por si só
a mais bela contemplação de um poeta!

Flor de Lótus;
a alquimia do amor
transmutação mística do verdadeiro amor...

Rosa Vermelha!
demasia íntegra da libido humana
à arder na alma
a paixão...

Margaridas...
flor de beleza branca pura e inocente
no meu poema das flores
és tu meu sol poente
intuição profunda de uma realidade
se faz bela de tempos em tempos
a cada primavera
revela e manifesta
no curso das estações
o hermético e profundo amor.
Ederson Rocha

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

O CURSO DAS HORAS


                                     Para o poeta Edson Bueno de Camargo 

meu lirismo
dissipou o curso das horas
e meus sonhos navegantes
foram de encontro ao mar

os horizontes sutis
que estão em meus pensamentos
tornaram-se estribilho
dos poemas que nunca fiz
descolorindo a tinta da pintura
quebrando vasos de porcelana
perdendo-se no curso das horas
horas inteiras!

e os poemas me perturbam
suplicando por serem escritos
me consumindo...

a nitidez de meus pensamentos
com exatidão
é algo que não verei no papel
com meu olhar interior

poemas eternos que não tem fim
ora tristes, as vezes alegres
contemplam-me em vida e essência
tão nítidos
mas se perdem no curso das horas
escondendo minha realidade
a estampa viva do que sinto e sou...

MÓRBIDA ESCULTURA

o que me interessa
é o interior
desta escultura que agora
tão mórbida, no caos se vai
na precedência do curso dos séculos
e permanece estável em movimentos giratórios
de rotação e translação

o que me interessa está dentro
o que se vê do lado de fora
não serve pra vida, não agrada

me entristece em saber
que um dia foi mais bela
com verdejantes bosques
e a essência da vida na sua maneira simples
apesar de surgir do caos
e da forma abstrata...

ainda existem mistérios não revelados
possibilidade que transcende o tempo
há talvez flores silvestres
neste lado oculto que desconheço
mas ainda há um espaço vago nos pensamentos..

é preciso transcender o que está fora
para que possa surgir o que está dentro.

Ederson Rocha

ETERNO MOVIMENTO

tudo se eleva ou cai
tudo oscila
tudo está em movimento

o movimento dos ventos
o movimento das marés
nada é estático
tudo se movimenta
até mesmo um pensamento
até mesmo um ideal
nunca fica no mesmo lugar

tudo isso constitui
as engrenagens que movimenta a humana máquina
no pequeno instante da vida
o eterno movimento é silêncio
e o silêncio a ilusão mais real
neste horizonte sem fim

Ederson Rocha

CHUVA...

a chuva lá fora cai
e no meu coração eu sinto
que a vida ainda existe
(por que ela não só existe com o que está fora)
quando a natureza se revela...

lá fora a chuva cai
e o silêncio da noite
vem demonstrar o som das coisas dispersas
dos sonhos perdidos
no céu encoberto
do meu silêncio
e eu não o alcanço!

não tenho o sol
tenho a chuva no meu silêncio
que se renova
num dia de chuva lá fora...

busco a plenitude da alma
e ao ver o que apenas sinto
tão logo se faz
um misto de alegria e tristeza
de ganho e perda
caminhos incertos
nos vestígios do passado,
uma idéia presente revela esperança
mas busco o silêncio
a voz que não se houve
no vago sentido vazio...
lá fora
pingos d’água
e no fundo de meu ser
sonhos e frases reticentes
pensamentos a pintar na alma
o que de humano já não seria
mas o silêncio que busco
se faz apenas de fragmentos
da minha incerta idéia de viver.

Ederson Rocha

BEATRIZ

A poesia nasce
cresce e se manifesta
ah, se teus olhos falassem
se tua essência se expressasse
e se o mundo fosse mais colorido...

Deita sobre o meu peito solitário
derrama tua natureza ao redor
aproveita tua infância sublime
pois eu como pai me aqueço com teu amor.

Fonte pura de inocência,
sou eu tua fortaleza?
Sou acaso teu herói?
Sou apenas quem se deslumbra
no arco-íris colorido do teu mundo,
não me culpo de sua existência
neste mundo cinza mar de erros
tu és flor que renova meu jardim
é estrela que de tempos em tempos
me renova e me conquista!

Deita sobre o meu peito solitário
e horizontes de felicidade irei te apontar
contemplando o cenário da existência
a viver minha posição de pai,
és o próprio amor
que me renova e me inspira
a ver a ternura em teus olhos resplandecer...

Infelizmente o mundo que te espera é tão cinza
e vai descolorir aos poucos este brilho inocente,
mas que tenha com você
um pouco da semente que há em mim
e procure transformar
tudo que há de real em teu coração
pois esta é a estrela que sempre brilha
e num breve suspiro...

Mantém a vida em seu curso.

Ederson Rocha

ARCADISMO

na necessidade de algo
vívido e manifesto
escrevo versos

semelhante arcadismo
escrevo versos pela chuva
pelo sol que se põe
e hoje tão forte


escrevo numa tarde de sol
tarde em que há vida
crianças correndo na rua
talvez atrás de um sorveteiro
e na falta de um sorvete

escrevo um poema
buscando aliviar-me do calor

vai entender poesia
é tudo sem pé nem cabeça


Ederson Rocha