segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Do sublime


havia filosofia
no modo como dizia das coisas
um misticismo
no modo como se expressava
as coisas simples que enfatizava
e as coisas simples
eram verdades

mas não há as vezes
nem a necessidade de dizê-la
afinal ela está em tudo
e muitas vezes clara
e tantas vezes breve
ou oblíqua

é que nos falta o silêncio
no modo como pensamos
por que pensamos em coisas grandes
e as pequenas passam...


despercebidas.
Não há o que temer
de lágrimas
Nem se conformar
em lagrimas
   se aborrecer?
ora...

Aprendi
que além de lavar os olhos
não nos deixa a deriva
na planície horizontal das circunstâncias...
   pela inconstância, ou aflição?

E mesmo distorcido
no caos
nos permite enxergar em bruma
 a imagem da montanha no horizonte
      a primeira? 
que é vital  e necessária de fato culminar...

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Dois rios




dois rios
correm
em cargas d’água
dois rios da vida
em que navega
rumo ao Oceano
ao cabo das tormentas
ao extremo distante
numa praia de algum lugar

algum lugar que transcende
toda circunstancia de tudo que há
e da correnteza do rio
de dois rios
quando um leva a arte da vida consigo
o outro é corrente constante, rebelde
como águia que tudo supera

um não conforma
 vai no seu fluxo
outro erra em caminhos de pedra
erra e se fragmenta
mas os dois rios vão para o mar
é o mar da própria vida

da existência de um dia ser mar.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Ânsia do acalanto à verdade...
sol que queima
ao mesmo tempo é luz
e causa da saudade
sem amor o instante é vazio...
                              
Somos dois tão juntos
mas no percurso das horas
teme o coração uma revolta
há no céu estrelas suspensas...

Por que o mesmo sol é tão distante?
E sem amor
é tudo tão vago...



Céu de estrelas soltas
expressando o infinito
seria escuro este momento?

E só quando o Sol não aparece
às vezes distante
mesmo assim brilha,
E está presente.

Se é saudade
do amor que tudo transforma
é luz refletindo as lágrimas
 em olhos tristes
no rosto lindo de mulher...


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A universitária da esquina Delfin Moreira com a Rua Portugal

Numa esquina de Sto André
no oculto astral do tempo
eterno passado, presente empírico futuro
um passo descomassado, sublimado no gesto
numa rota pro infinito

Universo sem fronteira
o verso da razão...
Sabedoria etérea fluente
que se sente e vê.

Que se descortine teus véus!

Que teus passos ainda lá presentes
jamais sejam vãos!

A fragrância  de seus idilios e esperanças
jamais desfragmentarão lá....

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Mistico Amor

Flechas apontadas ao vento
Mirando longínquos horizontes
Distante, fortalece o sentimento
Que só é sentido além de confins e montes

Sobre altivas rochas
E recanto de paraísos naturais
Onde está aquela luz,aquela força
Que eleva os primários sentidos à muito mais

Se eu tivesse força para me libertar
E dizer tudo o que eu sinto
Ao ver o Sol, o belo despertar
Sublimando este lugar longínquo

É o que foi e sempre será
Manifesto nas plenitudes
Daquele que sinceramente busca, verá
Surgir ao redor de maravilhosas virtudes...

Brilha o silêncio profundo da alma
Tendo a necessidade de surgir
De uma forma íntegra, serena e calma
Com a vontade de todo o ser consumir

Retumba o trovão
Numa tempestade atemporal
A se fazer intensa a batida do coração
E o que está além, manifesta esta energia imortal

Oh, virgem! Na cópula metafísica que emerge
Renova a natureza perdida do meu ser!
Fito-te o olhar, medito-te e eis que surge
A esperança viva para a vida em um novo amanhecer

Pois se realmente buscar sem engano
Ante aquela que adoras, sê leal
Distante do inerte e vão racionalismo humano

Eis a antítese sublime e pura  contra o mal.


A utopia do tempo...

Pensa, e as horas passam
Pensa, e o tempo voa
Pensa, e lhe bate o coração
Veja que a luz é dia
Veja que os dias se vão
Pensa, somente pensa...

Que o pensamento e o pesar

Cabem tão bem numa canção...

Contradições



tempos de renuncias
nuncio de núpcias 
 e lobos com peles de ovelha
tempo que se estende
e só o vento substância

tempo da constância?
tempo do ambiguo
do falso ombro amigo

tempo de internet
onde o olhar sugere
e nem tudo é bem vindo

eu não quero passar por ilusionista
nem mais enxergo a prosa
não escrevi o conto
mas o que se faz de vermelho
 se é o sangue o que fere a paixão
 então o que há d'outro lado do espelho?

espelho de Alice
e gato no telhado
realidade que a vida se aquece
em quem está do lado



terça-feira, 24 de maio de 2016

Estigma

gentil
me fiz

sincero,
quem me sentiu
sorriu

rio
a correnteza de poemar
e me fiz poeta menor
pedra no caminho
dentro da ostra
meu ninho

ainda assim
tal Tartufo serei
a olhos alheios
no fastio da icognita
ao tempo de durar...

sábado, 22 de setembro de 2012

Navegador



Sede de conhecimento
pulsa,
é inquietude
na busca que não ilude
sem sombra de ser inventada

Necessidade a cada hora
a cada instante
(semelhante mar bravio)
observando na vida,
a circunstância ritmada


Aquele que anseia por outras eras
Compreende o que é circunstancial
navegando em diversos rios
que deságuam no mar

Se olhar não se impressione
um livro terei sempre à mão,
é apenas o ato em si de navegar.

Dúvida




O que dizer num silêncio
Enquanto uma bela música toca
Mas perco-me simplesmente no imenso
Vazio,e o pensamento de ter a  mente em foco

Sentindo o passado a cada instante
Afogando e devorando o tempo
Num grande sonho... gigante,
Calado sentado me vendo...

Sou o que às vezes vejo
Quando o silêncio me traga
E no fundo d”alma se faz meu desejo
Que a visão do mundo apaga

Felicidade...
Um poema estendido ao longo da vida
No verso ambíguo da minha verdade
Agora se faz uma causa perdida...

Enfim, o que é mais perfeito
Aqui nesse silêncio
Sinto um vazio no peito
E na inquietação me sentencio!

Elétrico choque neste momento
Sem claridade de me interpretar
Névoa que aos poucos vou vendo
Ímpeto de nunca  acabar...












domingo, 9 de setembro de 2012

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Tributo da arte




Seguir a linha vertical,
a horizontal da vida
fez vítima das circunstâncias

à regra sempre foge
e exceção
revela o distinto

olhar ao léu
em silêncio
contemplar a estrela
por que sentir
é um exercício da alma
e pensar
um privilégio da razão

vem então toda sorte de infortúnio
o poeta retribui com cada sentimento
que não surge em vão...




quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Sentimento poeta




noite
aquela
que os poemas não vem
dilemas pesam
sentimento menor que a razão

uma noite
que parece não cessar
o amor julga
e a caridade cobra seu valor

tempo de renúncia
e tudo que se tem
ainda é pouco
do que a vida
proporciona...

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Aspiração

olhar a tarde
displicente
com olhos
fora

olhos dentro
busca
o cheiro da tarde
que invade
revela...

(o sentimento
 no fundo
pro mundo
é apenas ilusão.)

Estrada

nesta polaridade
à força das marés
tecer
os dias a fio

um impulso
há de levar adiante

sentir
que o Sol doura a face
e o brilho da retina
traduz
a amplitude do olhar

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Depois do sonho



assim
como vem
a beleza
sussurrar

palpitar o peito
do universo
impessoal movimento

na partilha
dois corpos,
fluxo de sangue
corre

calor
que
chama
aquece

a alma...

Penumbra




buscando na noite
uma vida
que não foi

na dor
do açoite
no dorso do boi

a vida escorre pelas mãos
véu
ao fogo em frente
 mão
apalpa
e busca a luz

os olhos estão fechados...

sábado, 28 de janeiro de 2012

A epiderme




Aceitar a epiderme
ter como base
este olhar...

Onde está
o palpável?

O que aceita
mas não vê
do que diz
e somente aceita

Mas
quê sente ou pensa?
Céu negro de esferas cintilantes, ou será pontiagudas?
Será acaso horizonte
ou ilusão dos olhos
que só um planeta há
e a  vida,
 um eterno sentimento pulsante...

Mas sob este olhar
somente a epiderme
será que se pode tudo evidenciar?

O Âmago




o sabor das idéias
sintetizam o gosto
das palavras
(as vezes amargas)

murmúrio
de contemplar um poema
sussurro
na calada da noite

pergunto-me
será que tem gosto
as palavras,
será que a vida é açoite
mas aquele pensamento foi embora...

embora na noite
perdido na madrugada
lá se foi o poema

e não escrevi
nada.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Aspiração e renúncia




Tantas vezes
sentir o vento soprar
 e ver a intensidade de afeto
que a presença de uma pessoa agradável
pode provocar

Quando criança
admirava a natureza
aceitando-a
com simples certeza de um olhar...

Beleza é o que guardamos no fundo,
verdade
experiência diretas das coisas
que  a vida prática
insiste em desviar de nossos olhos
sobre tudo que nos cerca...

Alguém
que com afeto pronunciamos
jamais será apenas
massa física
controlada por instintos, desejos, vontades,
corpo quando desgastado
emerge em sono profundo
luz que se apaga
semente que futuramente nascerá...

E inquietudes sufocadas
possam surgir com mais intensidade
incredulidades possam ser descartadas
certeza de que a vida não é um deslize
é a idéia de liberdade autêntica
ser compreendida
na beleza de um sorriso
quando uma criança sente alegria
fragmento de felicidade
amplitude...

Iniciação


para o amigo Chico Tânio

Ânsia fortuita de sentimento
Profundo lamento de alma
Que a ti pareça um só fingimento,
Trazer o coração  na palma.

Dores poéticas dos prantos
Lágrimas de sangue e canção
Aspirantes que se retiram a um canto
Buscando na vida alguma razão

Se lhe apraz é um só sentimento
De lamento não digo que seria
Mas veja o mundo é sangrento
Que não dá nenhuma alegria

O homem se embrenha num lodo
Sem ser em si alarmante
Apodrece e sem êxito
Ainda se crê triunfante

Seria sob este olhar um lamento tolo
Ir contra alguma transformação
Mas esta nos envolve de todo
Numa melodia sem canção

Sendo o amor terra que ninguém lavra
Consolo do vazio e solidão
É dor perdida na palavra
A luta de tal superação...



Existência

Tardes 
que surgem na existência
as vezes frias,
cheias de silêncio
e recorrência ancestrais...

Do que é feito o tempo e o acaso?
Se traduz em silêncio... 
Um grão de esperança
espera a semente nascer
de olhar mais humano
a enxergar isso tudo...

Sol e Lua em contraste
já não se vê tão real aquela palavra poética
que transcendeu o curso dos tempos...

Estrela de noites árabes a brilhar
e recordar a beleza da vida
em um mundo arcaico
desprovido de ciências
mas abundante de sentimentos...

Fugiu,
perdeu-se
nas mil e uma noite dos tempos...

CANÇÃO DE PRIMAVERA





Vivo uma canção de primavera
E ouço através do vento,
Vem a ser o que sinto no peito
Com a idéia de que um dia irá embora...

Mas como vai embora?
Se as flores é que nos fazem sorrir
E mesmo com pétalas caídas no chão,
Simplesmente vem a completar o cenário da vida!

( E as flores que desabrocham no outono
fez a vida cristalizar-se em mim como um bosque...)

Às vezes, em alguns momentos,
Só as margaridas que contemplo
Preenchem meu coração com a idéia,
De que até nos momentos tristes
A vida vale a pena...

Ederson Rocha 

quinta-feira, 14 de julho de 2011

E o vento leva

“O teu silêncio é uma nau com todas as velas pandas...”
Fernando Pessoa



Vejo tão claro este silêncio
vaga nuvem de incerteza
na busca de um sentir imenso
se revela obscuro, sem beleza

Como areia da praia
que sempre muda sua rotina
minha existência também me vaia
umedece-me a retina

Entoa o canto agudo
o vento da madrugada
no entanto, me vejo mudo
na alma vazia... Nada!

Meus olhos miram horizontes
nessa situação desesperada
e a esperança jorra por uma fonte
que se perde na beira da estrada

Sobre ópios de ilusão
é minha ânfora que se parte
e me vem esta questão...
esperança, de quê me vale a arte!

Quão breve é a vida
e o que queres de mim?
Apenas vejo a estrada percorrida
e não há rosas no meu jardim...


As vagas teorias estruturaram sedimentos
de pensamentos e ideais
que tão certo desfez o vento
em seus fortes vendavais

Trazendo tempestades de lamentos
que se perdem nos tristes ais,
De teorias, -frágil rudimento
Na inquietude, - nau à procura de um cais...

domingo, 22 de maio de 2011

Transeunte

existe um grande abismo
vertigem de ir além

se me vê narciso
me equilibro
em cada passo

firme acaso
meu riso feito aço
compartilho com quem
me convém

na parede da inércia
há uma controvérsia
e a vida em si surpreende

cada instante

um passo gigante
distante da estante
vida é livro aberto
imprevisível acaso
caminho pro infinito

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Lucidez clara

I

busco ver
de onde escrevo
e não há lucidez...

há uma voz que  persegue

um lago distante
frio de águas escuras
intocadas

imaginar metáforas
perco-me
(atento)
a olhar dentro

distância de tudo

um passo firme,
tão silencioso
revela uma senda...



II

“Há metafísica bastante pensar em nada”
e a verdade
revelada
àqueles que na crua realidade experimentam-na
mas será que há harmonia
no fato de ser e estar
com a própria existência?

o grande dilema
o indagar a si mesmo
basta...


o silêncio é o pó da estrada
que na morada entrou

entre movimentos incoerentes
que acontecem fora,
e ainda não se leva em conta
esterilidade de um sentimento íntegro!

um lugar onde a vida não dá frutos
a clamar por alguma certeza, um grão
grão de pequenas certezas
meias verdades
das meias verdades as toma como “verdades absolutas”
o coração há muito está frio...

céu imenso
única certeza palpável
de que tudo é infinito.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sentimento do mundo

Pudesse
falar de amores
da vida
ou uma razão qualquer
que venha a dar sentido
um impulso, um grito
o movimento que faz a vida surgir...

Pudesse
compor poemas
rimas de flores
contemplações, enfim
não caberia palavra
sem saber
qual a sina
que se esgrima
entre o sentir e o não sentir...


Se houver apenas
contemplações
na realidade
fica somente este olhar
desprezando valores
de rimas e flores
faz que o sentimento no mundo
aos poucos
deixe de existir...

Realidade poética

Pegar a poesia
explicar a poesia...

Distorção da realidade
ludibriando sentimentos?

Afago das palavras
retórica ambígua
palavras transcendidas,
é possível pegá-la...

Ela é palpável
nas descrições
na rotina
pegue-a
se não conseguir
tente enxergar
a poesia


Todo o verso a cantar
não é delírio meu...

domingo, 29 de agosto de 2010

Uma rotina

Um horizonte a brilhar
Num belo dia de sol
E a mente longe a vagar
Admirando este arrebol

Luzes multicores
A refletir minha alma
Que reflete suas dores
E numa meditação se acalma

O vento jorra meu peito
De encontro ao futuro
Direcionando-me sem jeito
A esse caminho inseguro

Meus pensamentos e idéias
Transcendem a trajetória da recordação
De minhas tristes epopéias
As frustrantes de meu coração

E nesta luta por não viver de ilusão
A vida flameja um sentimento
Sonhos, pensamentos e ao coração
Apenas um caminho pelo vento...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Uma breve filosofia

intuição é como radar natural
faz-nos perceber
quando apenas aceitamos coisas

aceitar
fenômeno que se leva dentro
distanciando da experiência direta das coisas

“Ir alem de caráter intelectual!”
e a intuição nos permite ser autênticos

captar coisas verdadeiras
vivenciar
sem a necessidade de aceitar ou justificar nada

abrir olhos ante torvelinhos teóricos
que insistem em prevalecer
pois apenas giram e giram...

Verde


preso a garganta
o grito mudo de palavras ao vento
na mesma direção
da caneta sobre o papel
a visão é de flores
que nunca tiveram raízes
por estar em canteiros
a beira da estrada
admirando paisagens
e nunca existir

que pena das flores,
não conhecer a realidade
do sol que vivifica, alimenta a seiva
clorofila,
e o verde da verdade desaparece a cada instante...

O silêncio de todas as manhãs

ter consciência
silêncio de todas as manhãs
há uma verdade repercutindo
escondida no tempo
no espaço
no cotidiano
e todas as manhãs se vão

ela se espreita
esconde pelos cantos
há o momento
o instante
o indefinido

há uma mescla
tendo consigo
o silêncio de todas as manhãs
“O silêncio, segredo da eloqüência”
presente instante
auto-revelação

tudo parece estar de acordo
e no decorrer da noite espessa
um novo dia para eterna novidade
uma luta
repugnância
e corações estéreis

só coisas que vão
noites que acontecem

esfumaçam

exprime um outro universo

um lado etéreo
abstrato ao olhar comum
de um novo dia que irá chegar...

Poema surdo

colher um pensamento
no ar
de forma intuitiva
pensar
não dizer
afinal
o que dizer da metafísica
que as pessoas insistem ignorar?

ouvir intuitivamente está muito além
do que os olhos permitem ver
com a ânsia de ouvir

seria como ver o sublime diante da palma
sobre a epiderme, os pensamentos
a fonte serena e calma
química de cada átomo

mas se no umbigo do poeta
há um sentimento ambíguo
a poesia nada diz

até por que os olhos
os olhos insistem em ver
com a ânsia de ouvir

Epitáfio do tempo




O pensamento e o pesar
cabem tão bem numa canção.

domingo, 4 de julho de 2010

Antropofagia

e se parar pra pensar
dizer é questão de sentir
vida passa
é ritmia
pandemia
do ir e vir
apenas queria
ficar estático
observando
este devir
dogmático

que devora o sentir

para muito além
o artista-poeta
com suor lapida vida
para não se mentir

Ederson Rocha

sábado, 27 de março de 2010

Fenda no tempo

Vejo o Outono surgir em janeiro
Tantas primaveras
De eras que eram tempo de afirmação
O ar de hoje em dia
Exala um cheiro estranho...

Tanta vida
Embutida dentro da vida
De asa partida
Não pode voar

Mas o tempo
Ainda é tempo de ida...

E essa tarde estranha
Guarda uma fenda
Que se possa enxergar
A entranha da tarde
Enigma do tempo
Maior que a contemplação
Ou o lamento,
Inquietação

Que com a brisa da tarde
Traz um silfo no ouvido

Aquela palavra perdida
Na noite dos séculos
Que se tenta em vão encontrar.


Ederson Rocha

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Do meu interior...

a poesia grita
quer existir no papel
sair dos pensamentos ambíguos

surto poético
as vezes sussurro
o feio que se faz de bonito

ausência, o momento
como se fosse um olhar dentro

intensidade das horas que passam
amor que deságua
sublime que vem e vai embora

tal como realmente ser
alguma coisa que vem e vai
sem dizer pra onde...

apenas um fragmento no papel.


Ederson Rocha

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Da nova Arte

aqueles que esperam
surgir a arte de peso
que abale as estruturas do que já existe
deve primeiramente compreender a simplicidade

pois ela surgirá
simples e autêntica
sem rebuscamentos
e passará despercebida
ante os abalos sísmicos
dos hermetismos, figuras de linguagem
sintaxes, aliterações
que a criptografam
e tratam com desdém
a necessidade humana do poeta


ao expressar os sentimentos
que surgem radiantes
na beleza da aurora
ou num pasmo de inquietude de qualquer manhã...


Ederson Rocha

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Condição



nenhum esforço
vem da vontade
de pegar pelo dorso
esta situação

a vida segue
a ferro e fogo
ninguém se entrega
nem une as mãos

sol
gira
sol
põe em movimento
este arrebol...

Andarilho da noite


caminha...
o vento range portões
um sentimento de alma
pensando sentindo
sentindo pensando

pessoas assistem TV
luzes se apagam
e o andarilho
buscando consciência de mundo


num novo dia que surgirá
distante de um céu estrelado
sem afago do universo
nesta noite

soturno,
o andarilho
busca teu silêncio
um silêncio vazio de alma
qualquer metafísica
dada a cruel situação humana
contra o supérfluo da existência
no seu ridículo pensamento

de lua
estrela e universo

domingo, 27 de dezembro de 2009

O rapaz sentado na escada...

lê um livro de poemas
e ninguém o percebe
está em seu horário de almoço
e toda atenção do rapaz
a ler o livro no trabalho
há um quê de ousadia
pois as pessoas o julgam conhecedor de algo


mas a poesia não pragmatiza as coisas
flui como as águas de um rio
e sem pretexto
nem objetivo
sabe exatamente aonde quer chegar

nada sabe
nem sequer sabe que não sabe
sente
inocente
displicentemente

no ambiente em derredor
pessoas lêem apostilas de concursos públicos
livros de auto-ajuda
e não se ajudam
na disputa que criaram pelo lugar ao sol
olham com desdém o rapaz
lendo um livro, distraído
no sincero devaneio da contemplação
sem dar conta do horário de almoço já acabar

vendo o sublime cristalizar...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Atemporal

A vida
é silêncio que nos afaga
o tempo
ilusão que nos traga
e o destino
que será que nos reserva?

O curso das horas
é instante que se dispersa

As horas
procuro tragá-la, retê-la
a vida passa
num eterno carrossel
e nos enlaça
como nuvens no céu
que também passa

─ véu sem asas ─

Inquietudes

I

Crianças correm nas ruas
e a vida consiste
somente em existir...

Ao contrário
medito o sol
e calculo sua distância...

II

Supra-consciência
nem de longe é
pseudo-sapiência

Ter comigo
tê-la, consigo
à margem do abismo
beirando ilusões...
Seria como pisar em ovos,
caminhar em cacos de vidro...



III

Ao surgir
do acaso a existência
foram deslizes da natureza
os sentimentos,instintos, os anseios?

Ou seria tão espontâneo como o vento
que pelo mundo gira
estáveis
como os movimentos das marés

Apenas sublime raiar
da primeira aurora
fôlego de criatura humana surgiu,
um pensamento escapou em um suspiro...

Ederson Rocha

MUDO GRITO

sufocado
dentro
estrondo psico-inerte

um eco

ânsias perdidas
inquietudes acorrentadas
em momentos que se foram
horizontes ao meio
meio fio d’ alma

caminhos desertos
sem pegadas no chão.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A origem do caos

Nas metrópoles
Cada um
Olha para seu próprio umbigo

Nos subúrbios
Cada um opina
A atitude do vizinho

E, no entanto
Todos
Sem distinção
Habitam em seu mundinho

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Luz

embriago-me de poesia
e um não-sei-oque inebriante
traz na alma
no peito e o coração todo
instantes de vida ao redor

a ausência das flores parece uma rotina
mas o peito ainda suspira
e o amor é uma esperança

feliz de mim!
parece que as vezes
sei o que é amor
cenas de infância perdida no tempo
ao redor
acontecem com entusiasmo
colorindo um vazio na alma

é só uma luz a meio fio,
enquanto a vida realmente acontece...

Ederson Rocha

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Recorrência

se fossem só pensamentos
indicando a amplitude do ser
se fosse o ópio apenas
o que esconde a lucidez
e na surdina do cansaço
o peso da existência

acaso há flores no recôndito da alma?
o que enfim é a alma
que tanto fascina
no fundo de tudo
se torna algo que ninguém sabe...

talvez seja o Sol
brilhando ao contrário
num crepúsculo que atormenta

ver tudo sem sentido
a vida, o caos

ainda há tenha esperança
para alguns, do mundo o que se alegrar
sem questionar
inquirir
a única trajetória que resta neste horizonte

se fossem só pensamentos
ou um inútil poema
mas todo universo conspira
e a verdade permanece obscura...

Da compreensão precoce da vida...

O que vai tão cedo pra guerra
Pergunta-se no meio de tudo
Em quê vale os sonhos q ’ela enterra
Sempre preso em algo absoluto

Existência que transcende a circunstância,
Por que os valores se dissolvem?
Diluem-se em outras estâncias
E é quando os sonhos nascem

Mas são coisas tão absurdas
Revelar na vida os sentimentos humanos!
As pessoas anseiam, é grande a turba
Que não enxergam na vida o próprio engano...

Ederson Rocha

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Rotina

Quando termina a semana
Começa o dia
Longe do labor
Perto da cantoria
Quando a semana passa
Vai-se embora a agonia

Eu trabalho noite dia
E tenho um violão
Enquanto dura a semana
Não tem canção

Mas quando a semana acaba
É quando os dias começam...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Decadènce

Não vou para o abismo
No verso da poética ambígua
A ambigüidade é uma constante
Só não consome a alma
Que na profundidade dos olhos
Há de supor que já não existe
Evaporou-se

Querem levar-me para o abismo
Mas para o abismo não vou
A utopia cega meus olhos?
Não se preocupe
Deixa-me ser um sonhador
Em busca do algo mais
De tudo que cerca e existe
É a circunstancia que não me deixa triste
Por enxergar que assim se supera

Os valores já não existem
A utopia cega meus olhos
Incapaz de nem um palmo de canção
Sem rima ou prosa
Só utopia...
Caminha como sombra
Refrigera o coração
Mas para o abismo
Não vou.

Ederson Rocha

sábado, 27 de dezembro de 2008

Desalento da manhã

Nasce uma nova aurora
uma manhã que ilumina
a húmus deste planeta
de coisas que acontecem

Sinto que está comigo
a ausência de algo
um vazio que transborda
e eu me retiro...

Para quê opinar?
A decadência derradeira do mundo
é circunstancial
assim como a aurora que nasce

Mas sinto a falta,
um sorriso de criança
algo tão bonito
como o brilho da aurora
que vem a completar a ausência
e da própria ausência
flores que murcham
gases lacrimogêneos
e sentimentos estéreis
ante a idéia inútil
de querer consertar...

Ederson Rocha

sábado, 9 de agosto de 2008

Apologia ao Tempo

olhos à curva da estrada
a estrada na linha do tempo
e o tempo tão vago não diz nada
é apenas sonho ou contentamento

vejo as estrelas no céu e é negro
aqui a vida resfria como geleira
ao inverso, transmuta-se e é um segredo
já as estrelas belas pela vida inteira

seriam eternas ao tempo distante,
ou qual distância teria o tempo
a velha história já é o bastante
e gira, gira como faz o próprio vento

saber das coisas é um mistério
o tempo passa e nada diz
pensar, saber é um critério
tal como o próprio tempo se faz um juiz

passa, e dura uma vida inteira!


Ederson Rocha

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Semente

o amor
um fragmento
semente que germina
o sol, uma luz
a essência das coisas
sem os valores
os pudores que a ferro se impõe

mas nada se estrutura
tudo é a eterna liberdade
só quando germina a semente,
aflora o que no fundo temos de belo
e é tão rara
a essência de tudo
a semente de nada
que se perde no transcorrer do tempo.

Ederson Rocha

Ser...

não tenho nada
nem a necessidade de aceitar
que ter me fará feliz
nem a lembrança remota de não ter

enfatizo
quero ser!

a parte disso
uma leve brisa
entre a minha infância
e a idéia hermética
de que viver vale à pena...

Ederson Rocha

Não quero nada...

Não quero nada...
Já dizia Fernando Pessoa
também o afirmo
pois tudo o que em mim acontece
é a razão pela qual aqui estou.

Se escrevo versos
é por que sinto a necessidade
de um olhar de amplitude sobre as coisas que nos cercam
e a música,seria como lavar os olhos
e enxergar o que não vejo
com um sentimento distinto
com os olhos que também são meus
sentir o que eu não sinto
quando estou comigo...

Então também o afirmo
não quero nada!
Tudo o que faço
é a repercussão da ânsia que tenho
de ser integralmente humano.

Talvez isso por natureza seja...
Mas tudo o que sinto e penso
é apenas um surto de momento
instantes estes sem muita intensidade
em que me pergunto
o que realmente é a vida
e em que base se consiste para existir
de onde vem e pra onde vai
pois é imenso este universo de detalhes

e se escrevo em surto de momentos
é tão somente
por que um presente instante,constante
é o que na vida realmente busco viver...

Ederson Rocha

Despertar

escrevo um poema para meu sonho
ver a vida com essência
e toda beleza que se perde
no curso do tempo,
escrevo o poema

sobre o olhar de um susceptível cosmopolita
a vida atual é a circunstância
da imagem interior que se reflete
em nossos atos
a cada instante


ao ouvir o som de cada passo
em direção a rotina insuportável
que a vida ritmada conduz
e mecaniza os atos, fere
como um punhal que atravessa o peito
no entanto...

escrevo o poema para meu sonho
quando vejo tão real
a circunstância pela qual escrevo

e a realidade é tão clara
e produz uma vertigem
mas os olhos cegos ainda não sabem filtrar
toda imagem que fica retida
no abismo interior já mecanizado

tudo isso é a minha loucura
e me obriga a aceitar
somente o que se vê e é palpável
opondo-se a uma absoluta idéia
de que tudo é amplitude
a amplitude de tudo parece incognoscível

pois ainda escrevo um poema para meu sonho
antes de dormir,
no meio de tudo, querendo apenas acordar...
Ederson Rocha

As flores

as rosas são simplesmente belas
mas nocivas
com seus espinhos
jogam seu perfume ao vento
revela toda sua beleza ao desabrochar

belas são as rosas
e tristes são as rosas
quando ao cair das pétalas e murchar
mas linda são as rosas
tão belas que encanta!

são inspirações
fontes de beleza que ferem com seus espinhos
fazendo um homem perder a razão
e entregar a vida por sua beleza
assim são as rosas mais perfeitas
as flores mais reais
criadas à imagem e semelhança de toda mulher
fazendo-a por si só
a mais bela contemplação de um poeta!

Flor de Lótus;
a alquimia do amor
transmutação mística do verdadeiro amor...

Rosa Vermelha!
demasia íntegra da libido humana
à arder na alma
a paixão...

Margaridas...
flor de beleza branca pura e inocente
no meu poema das flores
és tu meu sol poente
intuição profunda de uma realidade
se faz bela de tempos em tempos
a cada primavera
revela e manifesta
no curso das estações
o hermético e profundo amor.
Ederson Rocha

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

PARA UMA POETISA

O que a falta de um beijo me faz
Por que me identifico com um calor
Que num simples momento cresce e logo jaz
Por que a distância dela me causa esta dor?

Qual a verdade encoberta
Nas brumas delirantes do meu desejo
Em mim a vejo calma, enfim desperta
A minha solidão sobre o tejo...

Há mais valores do que esperanças?
O meu silêncio me aprisiona
Olho as estrelas como uma ciranda
E cintilam, enfatizam um sintoma

O amor chegou em mim?
Há tempos não o sentia
Tudo me causa um instante sem fim
E em meus sonhos tudo existia

Sinos repentinos,nunca pude acreditar!
Apenas fecho os olhos e a imagino
Tão bela ninfa ao incandescente luar
A despertar em mim sonhos de menino

Cresço, enfatizo e me desfaço
Deliro-me, o vento me leva
Pensando como tê-la, meu cansaço!
Guardando aquela lembrança de uma linda Eva.

Estampa viva à arder na alma
E sentir que a vida existe
Na clemência de mais uma vez vê-la calma
Na necessidade de pintar este instante triste...

Tê-la como pintura,obra viva da contemplação
Exalto a ênfase de admirá-la,imagino-te ao luar
Seja estrela que brilha numa distante constelação
O meu coração de poeta almeja te encontrar


Modificaste minha vida, e simplesmente admirei
Você tão bela a declamar versos e eu a delirar
Com idéias coerentes que em nenhuma mulher encontrei
Minha distância do mundo jamais poderia te ignorar

Mas apenas jogo meus versos ao vento
Minha esperança que cresce tão logo se parte
E por você bela poetisa, o meu sentimento
É a idéia de venerar profundamente a tua arte.

Ederson Rocha

O CURSO DAS HORAS

meu lirismo
dissipou o curso das horas
e meus sonhos navegantes
foram de encontro ao mar

os horizontes sutis
que estão em meus pensamentos
tornaram-se estribilho
dos poemas que nunca fiz
descolorindo a tinta da pintura
quebrando vasos de porcelana
perdendo-se no curso das horas
horas inteiras!
em que os poemas me perturbam
suplicando por serem escritos
me consumindo...

a nitidez de meus pensamentos
com exatidão
é algo que não verei no papel
com meu olhar interior

poemas eternos que não tem fim
ora tristes, as vezes alegres
contemplam-me em vida e essência
tão nítidos
mas se perdem no curso das horas
escondendo minha realidade
a estampa viva de ser quem eu sou...

MÓRBIDA ESCULTURA

o que me interessa
é o interior
desta escultura que agora
tão mórbida, no caos se vai
na precedência do curso dos séculos
e permanece estável em movimentos giratórios
de rotação e translação

o que me interessa está dentro
o que se vê do lado de fora
não serve pra vida, não agrada

me entristece em saber
que um dia foi mais bela
com verdejantes bosques
e a essência da vida na sua maneira simples
apesar de surgir do caos
e da forma abstrata...

ainda existem mistérios não revelados
possibilidade que transcende o tempo
há talvez flores silvestres
neste lado oculto que desconheço
mas ainda há um espaço vago nos pensamentos..

é preciso transcender o que está fora
para que possa surgir o que está dentro.

Ederson Rocha

ETERNO MOVIMENTO

tudo se eleva ou cai
tudo oscila
tudo está em movimento

o movimento dos ventos
o movimento das marés
nada é estático
tudo se movimenta
até mesmo um pensamento
até mesmo um ideal
nunca fica no mesmo lugar

tudo isso constitui
as engrenagens que movimenta a humana máquina
no pequeno instante da vida
o eterno movimento é silêncio
e o silêncio a ilusão mais real
neste horizonte sem fim

Ederson Rocha

CHUVA...

a chuva lá fora cai
e no meu coração eu sinto
que a vida ainda existe
(por que ela não só existe com o que está fora)
quando a natureza se revela...

lá fora a chuva cai
e o silêncio da noite
vem demonstrar o som das coisas dispersas
dos sonhos perdidos
no céu encoberto
do meu silêncio
e eu não o alcanço!

não tenho o sol
tenho a chuva no meu silêncio
que se renova
num dia de chuva lá fora...

busco a plenitude da alma
e ao ver o que apenas sinto
tão logo se faz
um misto de alegria e tristeza
de ganho e perda
caminhos incertos
nos vestígios do passado,
uma idéia presente revela esperança
mas busco o silêncio
a voz que não se houve
no vago sentido vazio...
lá fora
pingos d’água
e no fundo de meu ser
sonhos e frases reticentes
pensamentos a pintar na alma
o que de humano já não seria
mas o silêncio que busco
se faz apenas de fragmentos
da minha incerta idéia de viver.

Ederson Rocha

CÁRCERE

Encarcerado sobre janelas de vidro
vejo o mundo lá fora, imagino
e a vida lá fora acontece
acontece para aqueles que fazem
da esperança um desafio...

De quê adianta os sonhos não vividos
ou as imagens retidas nos pensamentos?
Situações não acontecidas...
A vida é feita de silêncio neste instante
e as janelas continuam fechadas
toda minha atenção é voltada
para minha tarefa diária,
e o suor do meu trabalho...

Ederson Rocha

BEATRIZ

A poesia nasce
cresce e se manifesta
ah, se teus olhos falassem
se tua essência se expressasse
e se o mundo fosse mais colorido...

Deita sobre o meu peito solitário
derrama tua natureza ao redor
aproveita tua infância sublime
pois eu como pai me aqueço com teu amor.

Fonte pura de inocência,
sou eu tua fortaleza?
Sou acaso teu herói?
Sou apenas quem se deslumbra
no arco-íris colorido do teu mundo,
não me culpo de sua existência
neste mundo cinza mar de erros
tu és flor que renova meu jardim
é estrela que de tempos em tempos
me renova e me conquista!

Deita sobre o meu peito solitário
e horizontes de felicidade irei te apontar
contemplando o cenário da existência
a viver minha posição de pai,
és o próprio amor
que me renova e me inspira
a ver a ternura em teus olhos resplandecer...

Infelizmente o mundo que te espera é tão cinza
e vai descolorir aos poucos este brilho inocente,
mas que tenha com você
um pouco da semente que há em mim
e procure transformar
tudo que há de real em teu coração
pois esta é a estrela que sempre brilha
e num breve suspiro...

Mantém a vida em seu curso.

Ederson Rocha

ARCADISMO

na necessidade de algo
vívido e manifesto
escrevo versos

semelhante arcadismo
escrevo versos pela chuva
pelo sol que se põe
e hoje tão forte


escrevo numa tarde de sol
tarde em que há vida
crianças correndo na rua
talvez atrás de um sorveteiro
e na falta de um sorvete

escrevo um poema
buscando aliviar-me do calor

vai entender poesia
é tudo sem pé nem cabeça


Ederson Rocha