domingo, 29 de agosto de 2010

Uma rotina

Um horizonte a brilhar
Num belo dia de sol
E a mente longe a vagar
Admirando este arrebol

Luzes multicores
A refletir minha alma
Que reflete suas dores
E numa meditação se acalma

O vento jorra meu peito
De encontro ao futuro
Direcionando-me sem jeito
A esse caminho inseguro

Meus pensamentos e idéias
Transcendem a trajetória da recordação
De minhas tristes epopéias
As frustrantes de meu coração

E nesta luta por não viver de ilusão
A vida flameja um sentimento
Sonhos, pensamentos e ao coração
Apenas um caminho pelo vento...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Uma breve filosofia

intuição é como radar natural
faz-nos perceber
quando apenas aceitamos coisas

aceitar
fenômeno que se leva dentro
distanciando da experiência direta das coisas

“Ir alem de caráter intelectual!”
e a intuição nos permite ser autênticos

captar coisas verdadeiras
vivenciar
sem a necessidade de aceitar ou justificar nada

abrir olhos ante torvelinhos teóricos
que insistem em prevalecer
pois apenas giram e giram...

Verde


preso a garganta
o grito mudo de palavras ao vento
na mesma direção
da caneta sobre o papel
a visão é de flores
que nunca tiveram raízes
por estar em canteiros
a beira da estrada
admirando paisagens
e nunca existir

que pena das flores,
não conhecer a realidade
do sol que vivifica, alimenta a seiva
clorofila,
e o verde da verdade desaparece a cada instante...

O silêncio de todas as manhãs

ter consciência
silêncio de todas as manhãs
há uma verdade repercutindo
escondida no tempo
no espaço
no cotidiano
e todas as manhãs se vão

ela se espreita
esconde pelos cantos
há o momento
o instante
o indefinido

há uma mescla
tendo consigo
o silêncio de todas as manhãs
“O silêncio, segredo da eloqüência”
presente instante
auto-revelação

tudo parece estar de acordo
e no decorrer da noite espessa
um novo dia para eterna novidade
uma luta
repugnância
e corações estéreis

só coisas que vão
noites que acontecem

esfumaçam

exprime um outro universo

um lado etéreo
abstrato ao olhar comum
de um novo dia que irá chegar...

Poema surdo

colher um pensamento
no ar
de forma intuitiva
pensar
não dizer
afinal
o que dizer da metafísica
que as pessoas insistem ignorar?

ouvir intuitivamente está muito além
do que os olhos permitem ver
com a ânsia de ouvir

seria como ver o sublime diante da palma
sobre a epiderme, os pensamentos
a fonte serena e calma
química de cada átomo

mas se no umbigo do poeta
há um sentimento ambíguo
a poesia nada diz

até por que os olhos
os olhos insistem em ver
com a ânsia de ouvir

Epitáfio do tempo




O pensamento e o pesar
cabem tão bem numa canção.

domingo, 4 de julho de 2010

Antropofagia

e se parar pra pensar
dizer é questão de sentir
vida passa
é ritmia
pandemia
do ir e vir
apenas queria
ficar estático
observando
este devir
dogmático

que devora o sentir

para muito além
o artista-poeta
com suor lapida vida
para não se mentir

Ederson Rocha

sábado, 27 de março de 2010

Fenda no tempo

Vejo o Outono surgir em janeiro
Tantas primaveras
De eras que eram tempo de afirmação
O ar de hoje em dia
Exala um cheiro estranho...

Tanta vida
Embutida dentro da vida
De asa partida
Não pode voar

Mas o tempo
Ainda é tempo de ida...

E essa tarde estranha
Guarda uma fenda
Que se possa enxergar
A entranha da tarde
Enigma do tempo
Maior que a contemplação
Ou o lamento,
Inquietação

Que com a brisa da tarde
Traz um silfo no ouvido

Aquela palavra perdida
Na noite dos séculos
Que se tenta em vão encontrar.


Ederson Rocha

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Do meu interior...

a poesia grita
quer existir no papel
sair dos pensamentos ambíguos

surto poético
as vezes sussurro
o feio que se faz de bonito

ausência, o momento
como se fosse um olhar dentro

intensidade das horas que passam
amor que deságua
sublime que vem e vai embora

tal como realmente ser
alguma coisa que vem e vai
sem dizer pra onde...

apenas um fragmento no papel.


Ederson Rocha

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Da nova Arte

aqueles que esperam
surgir a arte de peso
que abale as estruturas do que já existe
deve primeiramente compreender a simplicidade

pois ela surgirá
simples e autêntica
sem rebuscamentos
e passará despercebida
ante os abalos sísmicos
dos hermetismos, figuras de linguagem
sintaxes, aliterações
que a criptografam
e tratam com desdém
a necessidade humana do poeta


ao expressar os sentimentos
que surgem radiantes
na beleza da aurora
ou num pasmo de inquietude de qualquer manhã...


Ederson Rocha

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Condição



nenhum esforço
vem da vontade
de pegar pelo dorso
esta situação

a vida segue
a ferro e fogo
ninguém se entrega
nem une as mãos

sol
gira
sol
põe em movimento
este arrebol...

Andarilho da noite


caminha...
o vento range portões
um sentimento de alma
pensando sentindo
sentindo pensando

pessoas assistem TV
luzes se apagam
e o andarilho
buscando consciência de mundo


num novo dia que surgirá
distante de um céu estrelado
sem afago do universo
nesta noite

soturno,
o andarilho
busca teu silêncio
um silêncio vazio de alma
qualquer metafísica
dada a cruel situação humana
contra o supérfluo da existência
no seu ridículo pensamento

de lua
estrela e universo

domingo, 27 de dezembro de 2009

O rapaz sentado na escada...

lê um livro de poemas
e ninguém o percebe
está em seu horário de almoço
e toda atenção do rapaz
a ler o livro no trabalho
há um quê de ousadia
pois as pessoas o julgam conhecedor de algo


mas a poesia não pragmatiza as coisas
flui como as águas de um rio
e sem pretexto
nem objetivo
sabe exatamente aonde quer chegar

nada sabe
nem sequer sabe que não sabe
sente
inocente
displicentemente

no ambiente em derredor
pessoas lêem apostilas de concursos públicos
livros de auto-ajuda
e não se ajudam
na disputa que criaram pelo lugar ao sol
olham com desdém o rapaz
lendo um livro, distraído
no sincero devaneio da contemplação
sem dar conta do horário de almoço já acabar

vendo o sublime cristalizar...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Atemporal

A vida
é silêncio que nos afaga
o tempo
ilusão que nos traga
e o destino
que será que nos reserva?

O curso das horas
é instante que se dispersa

As horas
procuro tragá-la, retê-la
a vida passa
num eterno carrossel
e nos enlaça
como nuvens no céu
que também passa

─ véu sem asas ─

Inquietudes

I

Crianças correm nas ruas
e a vida consiste
somente em existir...

Ao contrário
medito o sol
e calculo sua distância...

II

Supra-consciência
nem de longe é
pseudo-sapiência

Ter comigo
tê-la, consigo
à margem do abismo
beirando ilusões...
Seria como pisar em ovos,
caminhar em cacos de vidro...



III

Ao surgir
do acaso a existência
foram deslizes da natureza
os sentimentos,instintos, os anseios?

Ou seria tão espontâneo como o vento
que pelo mundo gira
estáveis
como os movimentos das marés

Apenas sublime raiar
da primeira aurora
fôlego de criatura humana surgiu,
um pensamento escapou em um suspiro...

Ederson Rocha

MUDO GRITO

sufocado
dentro
estrondo psico-inerte

um eco

ânsias perdidas
inquietudes acorrentadas
em momentos que se foram
horizontes ao meio
meio fio d’ alma

caminhos desertos
sem pegadas no chão.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A origem do caos

Nas metrópoles
Cada um
Olha para seu próprio umbigo

Nos subúrbios
Cada um opina
A atitude do vizinho

E, no entanto
Todos
Sem distinção
Habitam em seu mundinho

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Luz

embriago-me de poesia
e um não-sei-oque inebriante
traz na alma
no peito e o coração todo
instantes de vida ao redor

a ausência das flores parece uma rotina
mas o peito ainda suspira
e o amor é uma esperança

feliz de mim!
parece que as vezes
sei o que é amor
cenas de infância perdida no tempo
ao redor
acontecem com entusiasmo
colorindo um vazio na alma

é só uma luz a meio fio,
enquanto a vida realmente acontece...

Ederson Rocha

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Recorrência

se fossem só pensamentos
indicando a amplitude do ser
se fosse o ópio apenas
o que esconde a lucidez
e na surdina do cansaço
o peso da existência

acaso há flores no recôndito da alma?
o que enfim é a alma
que tanto fascina
no fundo de tudo
se torna algo que ninguém sabe...

talvez seja o Sol
brilhando ao contrário
num crepúsculo que atormenta

ver tudo sem sentido
a vida, o caos

ainda há tenha esperança
para alguns, do mundo o que se alegrar
sem questionar
inquirir
a única trajetória que resta neste horizonte

se fossem só pensamentos
ou um inútil poema
mas todo universo conspira
e a verdade permanece obscura...

Da compreensão precoce da vida...

O que vai tão cedo pra guerra
Pergunta-se no meio de tudo
Em quê vale os sonhos q ’ela enterra
Sempre preso em algo absoluto

Existência que transcende a circunstância,
Por que os valores se dissolvem?
Diluem-se em outras estâncias
E é quando os sonhos nascem

Mas são coisas tão absurdas
Revelar na vida os sentimentos humanos!
As pessoas anseiam, é grande a turba
Que não enxergam na vida o próprio engano...

Ederson Rocha

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Rotina

Quando termina a semana
Começa o dia
Longe do labor
Perto da cantoria
Quando a semana passa
Vai-se embora a agonia

Eu trabalho noite dia
E tenho um violão
Enquanto dura a semana
Não tem canção

Mas quando a semana acaba
É quando os dias começam...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Decadènce

Não vou para o abismo
No verso da poética ambígua
A ambigüidade é uma constante
Só não consome a alma
Que na profundidade dos olhos
Há de supor que já não existe
Evaporou-se

Querem levar-me para o abismo
Mas para o abismo não vou
A utopia cega meus olhos?
Não se preocupe
Deixa-me ser um sonhador
Em busca do algo mais
De tudo que cerca e existe
É a circunstancia que não me deixa triste
Por enxergar que assim se supera

Os valores já não existem
A utopia cega meus olhos
Incapaz de nem um palmo de canção
Sem rima ou prosa
Só utopia...
Caminha como sombra
Refrigera o coração
Mas para o abismo
Não vou.

Ederson Rocha

sábado, 27 de dezembro de 2008

Desalento da manhã

Nasce uma nova aurora
uma manhã que ilumina
a húmus deste planeta
de coisas que acontecem

Sinto que está comigo
a ausência de algo
um vazio que transborda
e eu me retiro...

Para quê opinar?
A decadência derradeira do mundo
é circunstancial
assim como a aurora que nasce

Mas sinto a falta,
um sorriso de criança
algo tão bonito
como o brilho da aurora
que vem a completar a ausência
e da própria ausência
flores que murcham
gases lacrimogêneos
e sentimentos estéreis
ante a idéia inútil
de querer consertar...

Ederson Rocha

sábado, 9 de agosto de 2008

Apologia ao Tempo

olhos à curva da estrada
a estrada na linha do tempo
e o tempo tão vago não diz nada
é apenas sonho ou contentamento

vejo as estrelas no céu e é negro
aqui a vida resfria como geleira
ao inverso, transmuta-se e é um segredo
já as estrelas , belas pela vida inteira

seriam eternas ao tempo distante,
ou qual distância teria o tempo
a velha história já é o bastante
e gira, gira como faz o próprio vento

saber das coisas é um mistério
o tempo passa e nada diz
pensar, saber é um critério
tal como o próprio tempo se faz um juiz

passa, e dura uma vida inteira!


Ederson Rocha

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Semente

o amor
um fragmento
semente que germina
o sol, uma luz
a essência das coisas
sem os valores
os pudores que a ferro se impõe

mas nada se estrutura
tudo é a eterna liberdade
só quando germina a semente,
aflora o que no fundo temos de belo
e é tão rara
a essência de tudo
a semente de nada
que se perde no transcorrer do tempo.

Ederson Rocha

Ser...

não tenho nada
nem a necessidade de aceitar
que ter me fará feliz
nem a lembrança remota de não ter

enfatizo
quero ser!

a parte disso
uma leve brisa
entre a minha infância
e a idéia hermética
de que viver vale à pena...

Ederson Rocha

Não quero nada...

Não quero nada...
Já dizia Fernando Pessoa
também o afirmo
pois tudo o que em mim acontece
é a razão pela qual aqui estou.

Se escrevo versos
é por que sinto a necessidade
de um olhar de amplitude sobre as coisas que nos cercam
e a música,seria como lavar os olhos
e enxergar o que não vejo
com um sentimento distinto
com os olhos que também são meus
sentir o que eu não sinto
quando estou comigo...

Então também o afirmo
não quero nada!
Tudo o que faço
é a repercussão da ânsia que tenho
de ser integralmente humano.

Talvez isso por natureza seja...
Mas tudo o que sinto e penso
é apenas um surto de momento
instantes estes sem muita intensidade
em que me pergunto
o que realmente é a vida
e em que base se consiste para existir
de onde vem e pra onde vai
pois é imenso este universo de detalhes

e se escrevo em surto de momentos
é tão somente
por que um presente instante,constante
é o que na vida realmente busco viver...

Ederson Rocha

Despertar

escrevo um poema para meu sonho
ver a vida com essência
e toda beleza que se perde
no curso do tempo,
escrevo o poema

sobre o olhar de um susceptível cosmopolita
a vida atual é a circunstância
da imagem interior que se reflete
em nossos atos
a cada instante


ao ouvir o som de cada passo
em direção a rotina insuportável
que a vida ritmada conduz
e mecaniza os atos, fere
como um punhal que atravessa o peito
no entanto...

escrevo o poema para meu sonho
quando vejo tão real
a circunstância pela qual escrevo

e a realidade é tão clara
e produz uma vertigem
mas os olhos cegos ainda não sabem filtrar
toda imagem que fica retida
no abismo interior já mecanizado

tudo isso é a minha loucura
e me obriga a aceitar
somente o que se vê e é palpável
opondo-se a uma absoluta idéia
de que tudo é amplitude
a amplitude de tudo parece incognoscível

pois ainda escrevo um poema para meu sonho
antes de dormir,
no meio de tudo, querendo apenas acordar...
Ederson Rocha

As flores

as rosas são simplesmente belas
mas nocivas
com seus espinhos
jogam seu perfume ao vento
revela toda sua beleza ao desabrochar

belas são as rosas
e tristes são as rosas
quando ao cair das pétalas e murchar
mas linda são as rosas
tão belas que encanta!

são inspirações
fontes de beleza que ferem com seus espinhos
fazendo um homem perder a razão
e entregar a vida por sua beleza
assim são as rosas mais perfeitas
as flores mais reais
criadas à imagem e semelhança de toda mulher
fazendo-a por si só
a mais bela contemplação de um poeta!

Flor de Lótus;
a alquimia do amor
transmutação mística do verdadeiro amor...

Rosa Vermelha!
demasia íntegra da libido humana
à arder na alma
a paixão...

Margaridas...
flor de beleza branca pura e inocente
no meu poema das flores
és tu meu sol poente
intuição profunda de uma realidade
se faz bela de tempos em tempos
a cada primavera
revela e manifesta
no curso das estações
o hermético e profundo amor.
Ederson Rocha

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

O CURSO DAS HORAS


                                     Para o poeta Edson Bueno de Camargo 

meu lirismo
dissipou o curso das horas
e meus sonhos navegantes
foram de encontro ao mar

os horizontes sutis
que estão em meus pensamentos
tornaram-se estribilho
dos poemas que nunca fiz
descolorindo a tinta da pintura
quebrando vasos de porcelana
perdendo-se no curso das horas
horas inteiras!

e os poemas me perturbam
suplicando por serem escritos
me consumindo...

a nitidez de meus pensamentos
com exatidão
é algo que não verei no papel
com meu olhar interior

poemas eternos que não tem fim
ora tristes, as vezes alegres
contemplam-me em vida e essência
tão nítidos
mas se perdem no curso das horas
escondendo minha realidade
a estampa viva do que sinto e sou...

MÓRBIDA ESCULTURA

o que me interessa
é o interior
desta escultura que agora
tão mórbida, no caos se vai
na precedência do curso dos séculos
e permanece estável em movimentos giratórios
de rotação e translação

o que me interessa está dentro
o que se vê do lado de fora
não serve pra vida, não agrada

me entristece em saber
que um dia foi mais bela
com verdejantes bosques
e a essência da vida na sua maneira simples
apesar de surgir do caos
e da forma abstrata...

ainda existem mistérios não revelados
possibilidade que transcende o tempo
há talvez flores silvestres
neste lado oculto que desconheço
mas ainda há um espaço vago nos pensamentos..

é preciso transcender o que está fora
para que possa surgir o que está dentro.

Ederson Rocha

ETERNO MOVIMENTO

tudo se eleva ou cai
tudo oscila
tudo está em movimento

o movimento dos ventos
o movimento das marés
nada é estático
tudo se movimenta
até mesmo um pensamento
até mesmo um ideal
nunca fica no mesmo lugar

tudo isso constitui
as engrenagens que movimenta a humana máquina
no pequeno instante da vida
o eterno movimento é silêncio
e o silêncio a ilusão mais real
neste horizonte sem fim

Ederson Rocha

CHUVA...

a chuva lá fora cai
e no meu coração eu sinto
que a vida ainda existe
(por que ela não só existe com o que está fora)
quando a natureza se revela...

lá fora a chuva cai
e o silêncio da noite
vem demonstrar o som das coisas dispersas
dos sonhos perdidos
no céu encoberto
do meu silêncio
e eu não o alcanço!

não tenho o sol
tenho a chuva no meu silêncio
que se renova
num dia de chuva lá fora...

busco a plenitude da alma
e ao ver o que apenas sinto
tão logo se faz
um misto de alegria e tristeza
de ganho e perda
caminhos incertos
nos vestígios do passado,
uma idéia presente revela esperança
mas busco o silêncio
a voz que não se houve
no vago sentido vazio...
lá fora
pingos d’água
e no fundo de meu ser
sonhos e frases reticentes
pensamentos a pintar na alma
o que de humano já não seria
mas o silêncio que busco
se faz apenas de fragmentos
da minha incerta idéia de viver.

Ederson Rocha

BEATRIZ

A poesia nasce
cresce e se manifesta
ah, se teus olhos falassem
se tua essência se expressasse
e se o mundo fosse mais colorido...

Deita sobre o meu peito solitário
derrama tua natureza ao redor
aproveita tua infância sublime
pois eu como pai me aqueço com teu amor.

Fonte pura de inocência,
sou eu tua fortaleza?
Sou acaso teu herói?
Sou apenas quem se deslumbra
no arco-íris colorido do teu mundo,
não me culpo de sua existência
neste mundo cinza mar de erros
tu és flor que renova meu jardim
é estrela que de tempos em tempos
me renova e me conquista!

Deita sobre o meu peito solitário
e horizontes de felicidade irei te apontar
contemplando o cenário da existência
a viver minha posição de pai,
és o próprio amor
que me renova e me inspira
a ver a ternura em teus olhos resplandecer...

Infelizmente o mundo que te espera é tão cinza
e vai descolorir aos poucos este brilho inocente,
mas que tenha com você
um pouco da semente que há em mim
e procure transformar
tudo que há de real em teu coração
pois esta é a estrela que sempre brilha
e num breve suspiro...

Mantém a vida em seu curso.

Ederson Rocha

ARCADISMO

na necessidade de algo
vívido e manifesto
escrevo versos

semelhante arcadismo
escrevo versos pela chuva
pelo sol que se põe
e hoje tão forte


escrevo numa tarde de sol
tarde em que há vida
crianças correndo na rua
talvez atrás de um sorveteiro
e na falta de um sorvete

escrevo um poema
buscando aliviar-me do calor

vai entender poesia
é tudo sem pé nem cabeça


Ederson Rocha